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Startup britânica cria o primeiro protótipo de bacon feito em laboratório


Muito antes da pandemia de coronavírus, que colocou em evidência a fragilidade das cadeias de abastecimento de alimentos, as condições de trabalho terríveis e a crueldade com os animais no mundo todo, vários cientistas já estavam avisando que o mundo deveria começar a reduzir o consumo de carne para enfrentar a mudança climática.

Cada vez mais pessoas adotam dietas vegetarianas, mas muita gente reluta em abrir mão do gosto e da textura da carne. É aí que entra a Higher Steaks.

A startup de Cambridge anunciou recentemente que criou o primeiro protótipo do mundo de fatias de bacon e barriga de porco produzidas em laboratório, usando células animais.

“É um marco importante para a Higher Steaks”, declarou a fundadora e diretora geral Benjamina Bollag. “Tivemos avanços significativos em um tempo relativamente curto, mantendo o fluxo de caixa sob controle”. Há cerca de 30 startups no mundo trabalhando com carne cultivada, ou carne “limpa”, por meio de um processo que consiste na remoção de uma amostra de células de um animal sem matá-lo, seguida do cultivo em laboratório para transformá-las em músculo e gordura, usando uma solução especial em um reator biológico.

“A barriga de porco é feita com cerca de 50% de carne cultivada, e o bacon com cerca de 70% de carne cultivada. O restante é feito com vegetais”, explica Benjamina ao Yahoo Finanças do Reino Unido. “Ainda há bastante trabalho pela frente até chegarmos a um produto comercial, mas estamos animados com esse grande passo”.

Benjamina, que é formada em engenharia química pelo Imperial College, fundou a Higher Stakes em 2017. A empresa levantou cerca de US$ 200.000 (R$ 1.039.480,00) na etapa pré-seed e está prestes a entrar na série A do financiamento – a primeira grande rodada de entrada de capital de risco para uma startup.

O objetivo da empresa é apresentar um produto pronto para crescer no período aproximado de um ano, e a ideia é que o bacon esteja disponível para consumo nos próximos 3 a 5 anos.

Com a pandemia de coronavírus, o laboratório da Higher Steaks ficou fechado por três meses, mas Benjamina considera que o resultado geral em longo prazo pode ser positivo para o movimento da carne cultivada.

“As cadeias de abastecimento tiveram muitos problemas, várias centrais de processamento de carne fecharam, e algumas estavam espalhando doenças”, conta Benjamina. “Vimos o que essas doenças que passam dos animais para os humanos são capazes de fazer, e acredito que cada vez mais pessoas estão percebendo isso. A proteína vegetal é uma tendência que vai continuar e vai aumentar muito no setor”.

A Higher Steaks decidiu se concentrar na criação de carne suína, a mais consumida do mundo, pois esse setor utiliza muitos antibióticos e está sob a constante ameaça de doenças como a gripe suína africana, que matou 40% dos 360 milhões de porcos da China em 2019, de acordo com uma pesquisa da Rabobank.

A startup também anunciou na terça-feira a contratação de James Clark, ex-diretor de tecnologia da PredictImmune, como diretor científico.

“Trabalho no setor farmacêutico e de biotecnologia há 20 anos e sempre fiquei intrigado com a produção de carne cultivada, que combina ciência e produção de alimentos”, conta James ao Yahoo Finanças do Reino Unido. “A Higher Steaks é uma empresa com tecnologia inovadora na área de carne cultivada e, eu estava em busca de um desafio na carreira”.

O principal objetivo de James é levar a carne suína cultivada para o mercado, o que inclui passar pelos processos de aprovação regulatória na Europa e nos Estados Unidos.

“A Higher Steaks não usa modificações genéticas na carne suína cultivada, e acredito que isso vai facilitar a aprovação do produto no mundo todo”.

“Para entrar no mercado na União Europeia, o produto vai se enquadrar como ‘Novo alimento’. O tempo normal para análise é de um ano e meio a dois anos e meio e tem como foco principal a segurança do alimento”, acrescenta. “Nos Estados Unidos, o percurso regulatório foi definido recentemente. Ele envolve a FDA por causa do processo inicial com células-tronco, e a USDA na etapa final, relacionada aos alimentos”.

Alguns estudos de pesquisa de mercado mostram que as pessoas estão curiosas para provar a carne cultivada, mas ainda é preciso difundir a ideia entre os consumidores e nos supermercados e restaurantes.

“A aceitação da carne cultivada pelos consumidores depende de vários fatores, e é importante que o setor faça uma boa divulgação para que o público entenda a tecnologia e confie na ciência”, explica James.

O sucesso das empresas de carne vegetal, como a Beyond Meat, demonstra que há uma grande demanda por alternativas à carne entre os consumidores.

Fonte: https://www.beefpoint.com.br/startup-britanica-cria-o-primeiro-prototipo-de-bacon-feito-em-laboratorio/